Autismo é assunto na Tribuna Livre
A professora de educação especial e representante do grupo “Autismo Indaial”, Lia Hoffmann Jacobsen, abordou as dificuldades enfrentadas por familiares de crianças com o Transtorno do Espectro do Autismo.
por Redação 08/04/2022 às 10:27 Atualizado em 08/04/2022 às 10:32


No mês de conscientização sobre o autismo, o espaço da Tribuna Livre desta quinta-feira (7) foi usado pela representante do grupo “Autismo Indaial”, Lia  Hoffmann Jacobsen, que também é mãe e professora de educação especial. Segundo ela, o grupo, formado por cerca de 60 famílias, é voltado ao apoio a familiares de crianças com autismo, contribuindo em questões comportamentais, médicas e educacionais.

Desde 2012, por meio da Lei Berenice Piana, o autismo é considerado uma deficiência para todos os efeitos legais. No entanto, Lia explica que, por não ser uma deficiência visível, é muito questionada e vista com preconceito, “como birra, mau comportamento e às vezes até como falta de pulso dos pais”.  

A professora observa que Indaial conta hoje com aproximadamente 260 crianças autistas matriculadas nas escolas estaduais e municipais, porém este número é maior, já que muitas ainda estão passando pelo processo de diagnóstico do transtorno.  Para dar conta de toda essa demanda, o município dispõe, atualmente, de um terapeuta ocupacional, quatro fonoaudiólogos, um médico neurologista e quatro psicólogos. 

Lia pontua que esses números estão longe de ser o ideal, porque não se tratam só de autistas, mas de todos da comunidade que precisam desse tipo de atendimento. “Quando se inicia um tratamento com fonoaudiólogo ou com terapia, aquilo às vezes se estende por muitos anos, e enquanto a criança está em atendimento não se abre vaga para uma próxima”, ressalta.

Outra preocupação elencada por Lia é a necessidade de uma educação especializada para o aluno autista. Ela sugere mais comunicação entre as famílias e os professores, uma vez que cada criança com o transtorno possui um comportamento único. 

Além disso, a professora destaca que as crianças autistas frequentemente iniciam o ano letivo com atraso, pois a contratação do professor auxiliar é feita após o começo das aulas. Ela solicita que a Secretaria de Educação encontre uma forma de agilizar a contratação desses profissionais, para que as crianças com autismo sejam incluídas efetivamente desde o início do ano letivo.